Há poucos dias foi divulgada uma nota pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) apontando Sentinela do Sul entre os cinco municípios gaúchos que mais cresceram em números percentuais (42,1%) no período de 2008 para 2009. A partir desta informação o RN procurou o prefeito Marcus Vinicius V. de Almeida para saber do administrador como ele recebeu esta notícia e o que significa isso para o município.Confira a entrevista:
RN.: O que significa para Sentinela do Sul este crescimento?
Marcus: Primeiro precisamos entender o que é o produto interno bruto (PIB). Ele representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos no município, durante um período determinado, ou seja, é a soma de tudo: do que saiu, do que entrou e o preço que foi vendido. Não só a quantidade que produziu. Portanto esse crescimento de 42,1% significa que tivemos um grande avanço e principalmente que as pessoas do nosso município melhoraram suas condições de vida.
RN.: Explique como foi esse crescimento em números.
Marcus: Veja bem, por exemplo, o PIB per capita, que é a receita dos mais ricos somada a dos mais pobres e dividida pelo número de habitantes, no período em questão, em Sentinela do Sul crescemos de R$ 7.562,00 para R$ 12.000,00. O que também chama a atenção nos dados da FEE é o equilíbrio no crescimento, sendo que a agricultura cresceu 31,5%, a indústria cresceu 31,5% e os serviços cresceram 37%, então não teve um fator isolado para esse crescimento total. Toda a economia cresceu junto.
RN.: Que fatores contribuíram para isso?
Marcus: Como expliquei foram vários fatores, entre eles a instalação indústrias, o aumento de emprego com carteira assinada, os incentivos e campanhas de valorização do comércio que passaram a emitir mais notas. Conseguimos dar o suporte necessário para a agricultura e os agricultores começaram a usar mais seus talões de notas, incentivados pelas campanhas. Empresas grandes como a Agropar também contribui muito, assim como a Vale Sul, fumageira que se instalou no município. O produtor rural que estava vendendo sem notas e até mesmo mandando sua produção para outro município hoje pode comercializar seu fumo aqui e a arrecadação fica no município. E depois disso são empresas menores que foram se ajustando com o tempo começaram a impactar nesse crescimento.
RN.: Esse índice alcançado por Sentinela do Sul foi uma surpresa?
Marcus: Embora não pudéssemos dimensionar num primeiro momento sabíamos que estávamos crescendo, isso era visível, no volume de notas emitidas pelo comércio, no movimento de pessoas dentro da cidade que nos últimos anos têm aumentado bastante. O interesse das agências bancárias em se instalar em Sentinela do Sul também é um forte indicativo de que o município evoluiu economicamente. O Banrisul já definiu que se mantem aqui, o Sicredi e o Bradesco inauguraram suas agências em 2009, então dá pra ver essa evolução econômica. Dá pra ver também que o poder aquisitivo das pessoas aumentou.
RN.: E como fica Sentinela do Sul agora no cenário regional?
Marcus: Esse nosso retrato não é que Sentinela tem o melhor PIB da região, pelo contrário, ainda estamos entre os menores, mas saímos da posição mais baixa de forma mais rápida. O que a gente nota é que a capacidade de aquisição, o poder aquisitivo das pessoas aumentou.
Hoje já visualizamos a possibilidade de o PIB chegar a R$ 15 mil/habitante/ano, no próximo período, de 2009 para 2010. Isto seria igualar ao que Sertão Santana tem hoje, que para Sentinela do Sul seria um crescimento satisfatório. Sertão Santana sempre aparece bem. Eles têm uma vocação empreendedora muito grande lá. Quando ninguém na região fazia indústria Sertão já tinha. Quando chegar o asfalto naquele município com certeza será um dos mais ricos da região.
RN.: Qual é a participação do poder público municipal nesse crescimento?
Marcus: A única maneira que a administração municipal influencia no crescimento do PIB é garantindo qualidade de vida aos seus munícipes. Se as pessoas estão bem atendidas em saúde, por exemplo, elas vão produzir mais, investir mais ao invés de gastar com tratamentos. No momento em que temos uma boa estrutura de educação outros setores automaticamente são melhorados, como a manutenção da própria casa. O saneamento também é muito importante, então é esse estímulo para que todos invistam, comprem mais e vivam melhor que impulsiona o crescimento num todo.
RN.: Que orientação dá pra tirar disso tudo?
Marcus: Esses números indicam que a gente está acertando, estamos fazendo o que é necessário fazer, então é aumentar o investimento em saúde, continuar investindo em educação, dois setores essenciais que estão ligados diretamente com a qualidade de vida. Então isso nos norteia a acreditar numa política de desenvolvimento.














