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Rolou a emoção no 17° Acampamento

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17_acampamento_marcusDurante os dias 05, 06, 07 e 08 de Janeiro aconteceu o 17° Acampamento da Arte Gaúcha em Tapes, festival de cunho amador com o propósito de abrir as portas a artistas anônimos, além de valorizar várias vertentes da cultura regional. Durante as quatro noites tiveram inúmeras atrações como feira do artesanato, praça de alimentação, parque infantil, shows com artistas locais de renome e grandes nomes do meio tradicionalista gaúcho.

Festival iniciou com homenagens
17_acampamento_ostapesA abertura do 17° Acampamento da Arte Gaúcha em Tapes, na noite da quinta-feira (05), foi marcada por homenagens, primeiramente ao Artesão Hélio Silveira que desde 1994 confecciona os troféus “Tio Lautério” (criado pelo artesão Rui de Quadros Machado) com os quais são agraciados os premiados no festival. Seu Hélio, como é conhecido do público tapense, recebeu das mãos do prefeito Sylvio Tejada uma placa em reconhecimento a sua arte.
17_acampamento_heliosilveiraA segunda homenagem da noite foi para o grupo Os Tapes, que surgiu nos anos 70 e fizeram enorme sucesso musical levando o nome do município para além das fronteiras do país. Foi também o grupo Os Tapes que teve a ideia de promover o primeiro Acampamento da Arte Gaúcha. Ao palco foram chamados os antigos integrantes do grupo que receberam dos promotores do evento um certificado de reconhecimento pela sua contribuição à cultura do município. Alguns foram lembrados in memorian, outros não puderam comparecer, contudo os que estiveram presentes certamente saíram contentes com o carinho demonstrado pelo público.

As concorrentes e o show da noite
17_acampamento_marencoJá passava das 22 horas quando o primeiro instrumentista subiu ao palco para mostrar seu trabalho. Nesta noite foram seis concorrentes, sendo três classificadas para o sábado.
Foi com Luiz Marenco o show da noite de abertura do festival. Ele que já esteve no Acampamento em 2010, na 15ª edição, novamente soltou a voz no seu estilo campeiro, exaltando o povo gaúcho em suas letras, seus costumes, trabalho e cultura. Mais uma vez o artista foi ovacionado pelo bom público que esteve presente na quinta-feira.
As canções e o show missioneiro
A sexta feira foi a vez das canções serem apresentadas para a apreciação do público e dos jurados. Nesta categoria foram oito as concorrentes sendo três foram selecionadas para a final.
O espetáculo da noite ficou por conta da família Ortaça com seu um estilo marcante da música gaúcha que é o missioneiro. O patriarca Pedro Ortaça, um mestre das culturas populares brasileiras, soltou seu vozeirão e foi logo recebendo os aplausos do grande público que se fez presente para prestigiá-lo. O artista missioneiro é da mesma vertente de Cenair Maicá, Noel Guarany e Jaime Caetano Braum. Ele canta a história de um povo esquecido, explorado, mas cheio de encantos e essências.

Noite de premiações no festival
17_acampamento_premiadosSe é que São Pedro “cuida do tempo” ele deve ser tradicionalista, pois contrariando as previsões que eram de chuva para o sábado, a noite esteve com um clima agradável, temperado pela suave brisa da beira da Laguna e foi nesse clima que quem esteve no Parque Municipal de Evento Paulo Alfonsin Sinchem pode conferir a apresentação dos selecionados nas canções e instrumentistas.
A música “Romance de primavera” levou o primeiro lugar na canção, música de Rafael Souza, de Santana do Livramento, interpretada por Andrius Cruz, de Porto Alegre. Rafael Souza levou também o segundo troféu interpretando a música “Há uma estrela”, a qual também compôs.
A popularidade mais uma vez ficou para o artista da terra. Desta vez o tapense Celso Garcia, com a música “Deixando a lida como herança”, ficou com o troféu Tio Lautério de música mais popular.
17_acampamento_celsogarciaNa categoria melhor instrumentista a gaita tocada por Gabriel Romano Gonzales, de Esteio, teve a fina participação de violoncelo e violino e desta forma a música “Correntes andarilhas” desbancou as outras concorrentes e levou o primeiro lugar. Na segunda colocação ficou “Tchê Oh!”, dos autores Lucas Ferrera e Neuro Júnior, interpretada na gaita por Douglas Luiz Mendez Nunes, de Porto Alegre.
A premiação do Melhor Artesanato ficou com a Casa de Arte e Artesanato de Tapes, a qual teve uma ótima representação através das artesãs Marisete Romero e Sandra Costa.

A guitarra de Bonitinho imperou no sábado
17_acampamento_bonitinhoIrreverente e tendo como marca registrada a sua maestria com a guitarra, Juliano Trindade, o Bonitinho, incendiou o palco do Acampamento na noite de sábado. Extremamente bem acompanhado pelo grupo Eco do Miuano, a música fandangueira de bonitinho pôs a gauchada pra dançar no tablado próximo ao palco.

Noite especial no encerramento
O domingo com certeza reservou aos tapenses e visitantes do festival um show que vai ficar por longa data na memória de quem assistiu.
Marcus Vigolo e Grupo eram os donos do palco no encerramento da 17ª edição do Acampamento da Arte Gaúcha e uma fatalidade quase mudou essa programação, pois no sábado, Marcus sepultou seu pai, Arno Vigolo, 76 anos, vítima de um câncer. Contudo o artista tapense que havia prometido fazer o pré-lançamento de seu CD, Marcas do Tempo no festival, não decepcionou e subiu ao palco, acompanhado dos filhos, Juan, Vini e Rhuanny, fazendo uma belíssima apresentação que se encerrou com a música “De avô pra neto”, arrancando um caloroso aplauso de todos e conquistando o reconhecimento merecido.

Entrevista co Marcus Vigolo
17_acampamento_marcus1RN: Como foi subir ao palco um dia após a perda do Pai e ainda mais com uma música como a "De avô pra neto" sendo uma das principais do CD novo que está sendo lançando?
Marcus: Tchê! Tinha um compromisso com meu pai. Ele me dizia, já no hospital, que acontecesse o que fosse, eu deveria cumprir com meus compromissos e um dele s era este show do Acampamento.
Como falei no palco no domingo que perdi meu maior fã, que me acompanhava até quando cantava em qualquer buteco ou nos maiores shows que já fiz. Nesta noite foi a primeira vez que ele não pode ir.
Não foi uma situação muito fácil, pois cantar no dia que tu enterra teu pai é complicado, mas eu sentia muito forte a presença dele comigo e talvez por isso que recebi vários elogios e achei mesmo, sem falsa modéstia, que foi um espetáculo diferenciado. Talvez pela sensibilidade do momento e pelo medo que eu tinha de a qualquer hora me emocionar e não segurar as lágrimas. Também fui criticado, mas no fim das contas tenho certeza que fiz uma baita homenagem pro meu velho.
RN: Como foi compartilhar isso com os filhos e passar pra eles essa serenidade e senso de compromisso?
Marcus: Foi muito bom. Estavam os 03 comigo no palco, o Vini, o mais velho estava meio devagar no começo, mas depois se soltou. O Juan é o mais profissional e a Rhuanny fez de conta que tocava um violãonzinho, cheio de notas. Acredito que pela ligação deles com o avô que era muito estreita, sentiram muito com toda a função de velório e sepultamento, mas depois foram entrando no embalo do show.
RN: Defina em poucas palavras o teu velho que se foi.
Marcus: Meu maior fã, meu melhor amigo, o cara que me forjou o homem que hoje sou. Bom ou ruim estou muito satisfeito com o caráter que ele me deu. Um baita pai e um avô melhor ainda.

O evento foi realizado pela Associação Promotora de Eventos Culturais (APEC) em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo, Desportos e Cultura e Prefeitura municipal.