Cerro Grande do Sul
Problema vem se repetindo há anos na região e CEEE admite a dificuldade em fazer a manutenção das redes
As constantes faltas de luz no verão é um velho problema que volta a incomodar a população sulcerrograndense nesta época do ano, principalmente os fumicultores que dependem da energia para a secagem do fumo em estufas elétricas, além de outras tarefas comuns da produção que não podem ser realizadas sem a energia elétrica.
Os prejuízos já começam a aparecer e irritar os agricultores que reclamam da demora no atendimento por parte da CEEE, responsável pela manutenção das redes, além da deficiência no serviço de atendimento ao público, pela companhia, através do fone 0800, sendo que por diversas vezes o número fica incomunicável.
Na localidade de Raia do Ipê o fumicultor Jorge Schaidhauer decidiu buscar seus direitos na justiça para reaver os prejuízos causados com a falta de energia. Ele estava com as duas estufas carregadas de fumo, em meio a secagem, quando no sábado (04/02) por volta das 18h acabou a luz e o trabalho foi interrompido em um momento crucial da etapa, quando a falta de calor interfere diretamente na qualidade final do produto (classe). Para piorar a situação o restabelecimento da energia demorou muito, pois já era segunda-feira (06/02) no final do dia quando o problema foi finalmente resolvido, sendo assim o prejuízo foi total e todo o produto que estava em meio ao processo de secagem se perdeu, cerca de 120 arrobas, segundo o produtor, que ficaram sem condições de comercialização, considerando um preço médio em torno de R$ 100,00/arroba, o prejuízo chegaria a R$ 12.000,00.
Na segunda-feira (06/02), bastante nervoso, Jorge disse ao RN que não sabia mais o que fazer para solucionar o problema da falta de luz já que havia telefonado para a CEEE mais de 20 vezes, fato comprovado pelo histórico de seu aparelho celular, e que ele mesmo havia identificado o problema que seria no transformador próximo a sua casa, contudo ao informar a companhia desse fato os atendentes relutavam em acreditar dizendo que a causa se resumia a um poste quebrado, que conforme Jorge, já havia sido consertado num primeiro momento, mas o defeito no transformador persistia e continuava deixando sua residência e de outros moradores vizinhos sem energia.
Situação parecida é a de Aureo Selle, o Xuxa, que reside e planta fumo em uma propriedade localizada na Estrada Pessegueiros, bem próximo ao centro da cidade. No mesmo sábado (04/02) ele também ficou sem energia elétrica quando secava a fornada de fumo, ocasião em que levou 16 horas para a energia ser restabelecida, comprometendo em muito a qualidade do fumo em processo de secagem. O fumo ficou completamente manchado, o que reduz absurdamente o preço do produto no mercado. Xuxa disse que este foi o terceiro episódio neste ano que a energia faltou e demorou a retornar, e em todas as vezes deixou prejuízos pela interrupção da secagem do fumo.
Uma reivindicação dos moradores da Estrada Pessegueiros é que a CEEE avalie a possibilidade de instalação de outro religador em mais pontos daquela rede, pois existe um próximo a sede e outro somente na localidade de São José, muito longe do primeiro, portanto se ocorre, por exemplo, de um árvore cair sobre a rede lá próximo ao final da linha, todos naquela extensão ficam sem energia.
De outra localidade do município, em Barro Preto, o fumicultor Sergio Schumacher de Araújo entrou em contato com o RN para manifestar a sua preocupação também com esta questão. De acordo com Araújo foram três estufadas de fumo suas que ficaram comprometidas pela falta de luz, ou seja, em torno de 180 arrobas de fumo. Além de Araújo, segundo ele, diversos vizinhos seus também tiveram prejuízos, numa extensão da localidade que ficou sem energia desde o Barro Preto a Faxinal dos Ramires, já no município de Camaquã. O agricultor conta que noutras épocas já haviam tido diversos problemas com a falta de energia quando os moradores daquela região promoveram um abaixo assinado pedindo a mudança de rede da costa do arroio Velhaco, o que ocorreu, porém as faltas de energia seguiram acontecendo.
O que diz a gerência da CEEE
O RN entrou em contato com o gerente regional da CEEE – Centro Sul, Marco Genaro Woslowski que falou das dificuldades da companhia em realizar a manutenção em toda a região e que essa não é uma realidade exclusiva de Cerro Grande do Sul, acrescentando ainda que no último ano já participou de quatro audiências públicas para tratar desse assunto, nos municípios de Barão do Triunfo, Camaquã, Dom Feliciano e recentemente em São Lourenço do Sul. De acordo com Genaro a CEEE, por uma questão de política de governo, passou 08 anos sem fazer investimentos em manutenção ou melhorias dessas redes, e isso somado ao surgimento de novas tecnologias movidas a energia elétrica como, por exemplo, as estufas de secagem de fumo, inclusive com instalações sem o comunicado a companhia, têm contribuído para a deficiência no fornecimento e causado os problemas de falta de energia. “Não estou apontando culpados, apenas colocando a realidade da situação”, explicou o gerente regional.
O gerente revelou que existem dois projetos com obras de recondicionamento de redes para o município, com previsão de conclusão em 2012, um com investimento na ordem de R$ 515 mil, na linha de Picada da Cruz, desde Sentinela do Sul, passando por Raia do Ipê até o Indaiá e se estendendo ainda até a sede, outro no valor de R$ 243 mil, nas linhas Espanhola e Italiana, sendo que todas estas redes passarão a ser trifásicas. “Há muito serviço a ser feito e nós não temos mão de obra suficiente para resolver o problema imediatamente, contudo estamos trabalhando nessas melhoras” explicou.
Na rede da Estrada Pessegueiros ele disse que no ano passado foi feita uma manutenção completa e que a CEEE vai estudar a possibilidade da implantação de um religador, conforme reivindicação daqueles usuários.














