Cerro Grande do SulPassados 16 anos de uma das maiores enchentes ocorridas no município, as imagens da catástrofe não ficaram gravadas apenas na memória da população que sofreu seus efeitos e o Regional de Notícias encontrou registros fotográficos para contar a história.
A grande enchente de dezembro de 1995 também está viva na biblioteca municipal, onde há um arquivo com diversas fotos que mostram os estragos causados pela fúria da natureza.
A enxurrada de 1995 ficou conhecida como a maior enchente já registrada em nossa região nos últimos 50 anos pelo menos, onde o Arroio Velhaco e seus afluentes levaram água abaixo casas, veículos, galpões, pontes, animais, enfim quase tudo aquilo que ficava ao alcance das águas enfurecidas. A enxurrada abalou a comunidade sulcerrograndense atingindo as propriedades tanto do interior como residências e comércios localizados na parte urbana do município, as margens do Arroio José Maria e do Velhaco.
A chuva torrencial da tarde de 23 de dezembro, que durou menos de meia hora, chegou para devastar plantações, principalmente o fumo, destruir casas, alagar comércios e casas e destruir estradas e pontes deixando o município isolado do resto da região pela impossibilidade de tráfego. O estrago nas redes elétricas deixou o município sem energia o que dificultou ainda mais a vida dos moradores que já sofriam com os efeitos das águas. Nos morros ao redor da cidade, onde predominava mata nativa, ocorreram diversos deslizamentos levando abaixo árvores centenárias e imensas pedras, abrindo enormes clareiras percebidas até hoje em meia a vegetação que se renova.
Por sorte, nenhuma vítima foi registrada, porém centenas de animais domésticos e bens incalculáveis foram levados enxurrada abaixo, deixando um enorme prejuízo para as famílias.
Comerciantes perderam todos os seus bens
Para muitas famílias a exemplo do comerciante Emilio Carlos Danelon, o Gordo, e sua esposa Leonir Pacheco, a Nina, fica difícil recordar este acontecimento triste e surreal. Fazia pouco mais de 20 dias que a família havia se mudado para sua nova residência, construída com muito sacrifício à beira do arroio José Maria, onde eles inauguraram um restaurante.
No dia do desastre Nina lembra que o movimento havia sido intenso e o resultado foi uma arrecadação muito boa com a comercialização dos almoços, dinheiro que provavelmente manteria as despesas da família na semana do Natal. “Depois das 14h30min o tempo começou a escurecer com pinta de que viria chuva, porém ninguém esperava o que aconteceu”, recorda tristemente a comerciante.
A tarde de sol, seca e muito quente foi substituída, por volta das 16h por nuvens negras e seguida de um verdadeiro “toró” que inundou tudo e arrastou o que estava pela frente próximo aos cursos dos arroios. Nina conta que a vizinhança tentava ajudar uns aos outros, contudo o nível da água começou a subir rapidamente. “Foram cerca de 15 minutos de uma intensa chuva, onde só deu tempo de nós atravessarmos a estrada a procura de um abrigo e parte de nossa casa veio abaixo”, disse ela. Na noite anterior à chuva, havia sido promovido um “galeto dançante” no restaurante e o lucro do evento foi guardado em cima de um armário, que posteriormente também foi levado água abaixo. “É triste recordar de momentos tão difíceis, pois em questão de minutos tudo foi por água abaixo” pontuou. Da residência e restaurante da família restaram apenas as paredes com as janelas estraçalhadas pela água e entulhos que desceu ferozmente arroio abaixo. Além das paredes restou apenas uma única geladeira de todos os móveis e eletrodomésticos que havia no restaurante. “Até hoje temos gravados em vídeo cassete as imagens daquele dia, mas eu e meu marido não gostamos de recordar daquele triste momento do passado” desabafou Leonir.
Neri Oliveira fala sobre as dificuldades, e a falta de ajuda do Estado
O empresário Neri Oliveira, vice-prefeito na época, relembra momentos daquela triste catástrofe natural. De acordo com ele, faltou apoio da União e do Estado com recursos para ajudar aquelas várias famílias que perderam tudo durante a enxurrada. “Tudo o que o município arrecadava não era suficiente para socorrer as famílias nem para as despesas que a prefeitura tinha”, falou Neri. Naquele final de ano a Defesa Civil aceitou o decreto de situação de emergência, porém, segundo ex-vice-prefeito, o órgão não enviou nenhuma verba para ajudar no socorro às famílias e ajudar a recuperar o município. “A ajuda que nós tivemos naquele ano foi vinda de outros municípios e estados que fizeram doações para ajudar as famílias desabrigadas” lembrou.
A enxurrada deixou um prejuízo incalculável para a agricultura e o comércio. As principais estradas de ligação do município trouxeram muitos problemas para o escoamento da produção de madeira, que naquele ano também era bastante desenvolvida no município. Depois da enxurrada foram mais de um ano de intenso trabalho para recuperar pontes, bueiros e estradas do município.

















